Crime teria sido motivado por disputa de acesso a área ocupada dentro da Resex Jaci-Paraná; uma das vítimas ficou com sequelas permanentes

Porto Velho, RO - O ex-delegado da Polícia Civil de Rondônia Tadeu Goes Aragão foi condenado a 45 anos de prisão pelos crimes de homicídio qualificado e três tentativas de homicídio. A decisão da Justiça refere-se a um ataque ocorrido em uma área rural próxima à Reserva Extrativista Jaci-Paraná, em Porto Velho.

De acordo com a acusação, Tadeu ocupava uma área localizada dentro da unidade de conservação e dependia da passagem por uma propriedade vizinha para ter acesso ao local. A construção de uma porteira pelas vítimas, com o objetivo de restringir a circulação de invasores na reserva ambiental, teria motivado o crime.

As vítimas eram três irmãos e o filho adolescente de um deles. Segundo relatos prestados à Polícia Civil, a porteira havia sido instalada justamente para impedir a entrada irregular de pessoas na Resex.

A denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado de Rondônia aponta que, no dia do crime, o ex-delegado teria trocado as placas do veículo que utilizava para passar por um radar da Polícia Rodoviária Federal sem levantar suspeitas.

Ainda conforme a investigação, Aragão chegou ao local, estacionou antes da porteira e conversou normalmente com as vítimas. Testemunhas afirmaram que não houve discussão ou desentendimento. Um dos irmãos, inclusive, teria informado que abriria a passagem para permitir a entrada do então delegado.

Nesse momento, segundo a acusação, o réu sacou uma arma de fogo e começou a atirar contra o grupo.

Uma das vítimas, Vanderlei Brandão, morreu no local. Os outros três atingidos pelos disparos conseguiram fugir e sobreviveram. Conforme o Ministério Público, o mais jovem dos sobreviventes, atualmente com 19 anos, sofreu sequelas permanentes em decorrência dos ferimentos.

Na época dos fatos, Tadeu Goes Aragão exercia a função de delegado titular no município de Alto Paraíso. Após o crime, ele foi alvo de investigação interna da corporação, perdeu o cargo e acabou preso em outubro de 2022.

A Justiça determinou o cumprimento imediato da pena e negou ao condenado o direito de recorrer em liberdade.

A defesa informou que irá apresentar recurso contra a condenação, buscando a revisão da decisão em instâncias superiores.