Lula durante discurso na Cúpula do Clima em Belém (PA) - Reprodução/G1Porto Velho, RO – Durante a Cúpula do Clima em Belém (PA), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez um discurso contundente contra o negacionismo climático e os interesses específicos que atrasam a preservação ambiental. O evento é preparatório para a COP30, que será sediada na capital paraense em 2026 e reúne líderes de mais de 40 países.
“Interesses egoístas e imediatos preponderam sobre o bem comum. O combate à mudança do clima precisa estar no centro das decisões de cada governo, empresa e cidadão”, declarou o presidente durante a abertura do plenário.
Lula apontou dois grandes obstáculos para o avanço da agenda verde: a distância entre o discurso diplomático e a realidade vívida pela população, e o abismo entre a urgência climática e o contexto geopolítico.
O chefe do Executivo criticou a disseminação de “inverdades fabricadas por forças extremistas”, cobrando que as nações invistam menos em guerras e mais na proteção ambiental.
“Justiça climática é aliada ao combate à fome e à pobreza”, reforçou.
COP no coração da Amazônia
Lula ressaltou a importância de realizar uma cúpula global no coração da floresta amazônica, definindo o encontro como um marco histórico.
“Pela primeira vez, uma COP será no coração da Amazônia, símbolo máximo da causa ambiental”, afirmou.
Ele também destacou a urgência em levar a sério os alertas da ciência, lembrando que o planeta enfrenta secas, enchentes e furacões cada vez mais intensas.
“Há mais de 35 anos sabemos o impacto das mudanças climáticas, mas agora só permitimos a necessidade de abandonar os combustíveis fósseis e frear o desmatamento”, apontou Lula.
O presidente defendeu a elaboração de um 'mapa do caminho' global, com metas para reduzir emissões, cortar a dependência do petróleo e financiar projetos sustentáveis de forma justa.
Articulação internacional
A agenda do evento inclui reuniões bilaterais de Lula com o príncipe William, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer e o presidente francês Emmanuel Macron, para discutir investimentos verdes e o fortalecimento do Fundo Amazônia.
Plano trilionário
Paralelamente, Brasil e Azerbaijão — anfitriões da COP30 e COP29 — concluíram o “Roteiro de Baku a Belém”, um plano que busca mobilizar US$ 1,3 trilhão anual até 2035 para financiar ações de mitigação e adaptação climática.
A proposta prevê novas fontes de arrecadação, como taxas sobre aviação, bens de luxo e grandes fortunas, além de reformas financeiras globais para aliviar dívidas de países em desenvolvimento.
“A COP30 será uma COP da verdade”, concluiu Lula, afirmando que o mundo precisa “agir com coragem antes que uma janela de oportunidades se feche”.
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