Operação apreendeu computadores e criptomoedas na Argentina - Reprodução/G1

Porto Velho, RO– Uma megaoperação internacional desmontou um dos maiores esquemas de streaming pirata do mundo, com ramificações na Argentina, China e Brasil. O grupo operava plataformas como My Family Cinema e TV Express, que juntos somavam 4,6 milhões de assinantes brasileiros e faturamento estimado em R$ 1 bilhão por ano.

A ação foi deflagrada após uma investigação conduzida pelo Ministério Público Fiscal de Buenos Aires, com apoio da Alianza, entidade que combate a pirataria audiovisual na América Latina.

Segundo as autoridades, os escritórios funcionavam como empresas regulares, com cerca de 100 funcionários, setor de RH e estrutura de marketing. No entanto, eram centros de distribuição de conteúdo ilegal, com o suporte técnico operando na China.

Durante as buscas, a polícia argentina apreendeu notebooks, discos rígidos, pen drives, cartões de recarga, além de valores em dinheiro e criptomoedas que ultrapassaram R$ 700 mil.

"A Argentina é barata e tem mão de obra comprometida. Ninguém imaginava que um negócio desse porte estaria sediado aqui", afirmou Jorge Alberto Bacaloni, presidente da Alianza.

O esquema oferece acesso a filmes, séries e esportes esportivos por valores entre R$ 16 e R$ 27 meses, por meio de caixas de TV ilegais como Duosat e BTV, vendidos no Brasil sem autorização da Anatel.

A Anatel alertou que o uso de caixinhas piratas é ilegal e pode colocar em risco a segurança digital dos usuários, facilitando ataques de hackers e interferências em equipamentos.

Até o momento, 14 plataformas foram derrubadas, mas o número pode chegar a 28 até o fim de novembro, segundo a Alianza.

Entre as derrubadas estão My Family Cinema, TV Express, Eppi Cinema, Cinefly, Samba TV e Ritmo TV.

À medida que as investigações avançam, as autoridades acreditam que ex-funcionários de grandes empresas de mídia também fizeram parte da rede criminosa.