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Porto Velho, RO – Uma crise na coleta de lixo da capital rondoniense se transformou em uma verdadeira tragédia urbana. O colunista Robson Oliveira, em análise publicada nesta quinta-feira (6) na coluna Resenha Política, classificou o caos como resultado direto de decisões institucionais equivocadas e da falta de sensibilidade administrativa e judicial diante de um serviço essencial à saúde pública.
Colapso na coleta e risco sanitário
Segundo o texto, a atual situação das ruas tomadas por resíduos não é um acidente, mas “a consequência de uma deliberação institucionalmente míope”. Oliveira aponta que o apego excessivo à literalidade das normas, sem considerar a complexidade logística do serviço, provocou uma sequência de erros administrativos e jurídicos que paralisaram o sistema.
O resultado mais visível, afirma, é o impacto desigual: enquanto moradores de áreas periféricas enfrentam o acúmulo de lixo e risco de doenças, os mais abastados continuam protegidos por serviços privados de coleta.
Inércia e burocracia no centro do problema
O colunista responsabiliza tanto a burocracia administrativa quanto o ritmo moroso da Justiça pelo impasse. Segundo ele, a inércia processual e o excesso de formalismo tornaram-se cúmplices de uma tragédia que atinge toda a população. “A eficácia da Justiça deve ser medida pela sua capacidade de garantir a saúde pública, e não apenas pelo rigor filológico das sentenças”, pontua.
Oliveira também critica a ausência de critérios técnicos na contratação de empresas. Para ele, o problema é “a fé quase religiosa de que uma empresa mais barata é a melhor opção”. O resultado, diz, são “consórcios de aventureiros” sem preparação para administrar um sistema complexo, que acabam punindo o contribuinte e comprometendo o interesse coletivo.
Cidade mergulhada no lixo e nas chuvas
Com a chegada das chuvas amazônicas, Porto Velho revive seu drama anual. Ruas e casas alagam, bueiros entopem e o lixo desce com as enxurradas. O articulista afirma que a prefeitura promete medidas preventivas, mas que o problema nasce na coleta precária, tornando o período chuvoso mais uma “temporada de caos previsível e lucrativa apenas para os mesmos de sempre”.
Labirinto burocrático e impasse prolongado
O processo de definição da empresa responsável pela coleta, iniciado ainda na gestão anterior, é descrito como um “labirinto burocrático”. Segundo Oliveira, a própria máquina pública criou entraves e desperdiçou tempo e recursos, resultando na paralisação completa de um serviço vital.
Crítica contundente e apelo coletivo
Encerrando a análise, Robson Oliveira reforça que o cidadão tem o dever de cobrar soluções concretas: “A desconexão da norma com a realidade está cobrando seu preço — e é a coletividade quem paga”.
O texto, específico publicado em uma quinta-feira, marca o tom de urgência de uma cidade sufocada pelo lixo e pela ineficiência estatal.
Fonte: Coluna Resenha Política – Robson Oliveira
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