Em sessão extraordinária nesta segunda (2), Plenário do Tribunal aprovou mais sete resoluções que vão orientar o pleito deste ano

Na sessão administrativa desta segunda-feira (2), TSE aprovou mais sete resoluções das Eleições de 2026

Porto Velho, RO - O Plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) concluiu, nesta segunda-feira (2), a aprovação de todas as resoluções que vão reger as Eleições Gerais de 2026. Ao todo, foram validadas mais sete normas em sessão administrativa extraordinária, fechando o conjunto de 14 resoluções que disciplinam o pleito.

O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro de 2026, quando o eleitorado escolherá presidente da República, governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais.

Segundo o vice-presidente da Corte e relator das resoluções, ministro Nunes Marques, o conjunto aprovado sinaliza equilíbrio. “A Justiça Eleitoral não pecará pelo excesso, tampouco pela inação”, afirmou.

Já a presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, destacou o esforço coletivo na construção das normas, ressaltando o caráter participativo do processo, que recebeu número recorde de contribuições da sociedade.


Principais pontos das resoluções aprovadas

📅 Calendário eleitoral

A resolução consolida todas as datas do processo eleitoral, garantindo segurança jurídica e planejamento aos partidos e candidatos.

Entre os marcos definidos:

    * 5 de março de 2026: início da janela partidária;
    * 3 de abril de 2026: prazo final para mudança de partido por deputados federais, estaduais e distritais que pretendam disputar o pleito.

🤖 Propaganda eleitoral e uso de Inteligência Artificial

A norma que atualiza a Resolução nº 23.610/2019 traz regras específicas para o uso de IA nas campanhas. Entre as principais mudanças:

    * Proibição da circulação de conteúdos sintéticos novos (produzidos ou alterados por IA) 72 horas antes e 24 horas após a votação;
    * Responsabilidade solidária de provedores que não retirarem imediatamente conteúdos irregulares;
    * Proibição de recomendação de candidaturas por sistemas de IA;
    * Vedação à criação de conteúdos falsos com nudez ou conotação sexual para atacar candidaturas;
    * Banimento de perfis falsos ou automatizados que comprometam a integridade do processo eleitoral;
    * Destinação proporcional de tempo de propaganda para candidaturas indígenas.

⚖ Ilícitos eleitorais

A nova regulamentação reforça o combate à desinformação e inclui expressamente como ilícito o uso irregular de conteúdos sintéticos gerados por IA.

Também amplia a proteção na destinação de recursos públicos para candidaturas de mulheres, pessoas negras e indígenas, estabelecendo que o desvio de finalidade configura irregularidade independentemente do valor envolvido.


🗳 Registro de candidaturas

A resolução atualiza os procedimentos para escolha e registro de candidatos, incluindo:

    * Regulamentação do Requerimento de Declaração de Elegibilidade (RDE), criado pela Lei Complementar nº 219/2025;
    * Envio exclusivo de atas e registros pelo sistema CANDex;
    * Ajustes nas regras de idade mínima;
    * Esclarecimento sobre hipóteses de reeleição.

🔎 Auditoria das urnas eletrônicas

Entre as mudanças:

    * Incorporação definitiva do Teste de Integridade com Biometria;
    * Ampliação do percentual de cédulas usadas no teste (entre 83% e 95% da seção sorteada);
    * Exigência de acessibilidade nos locais de auditoria;
    * Divulgação imediata das urnas auditadas na internet.

📘 Estatuto da cidadania eleitoral

Uma das novidades é a consolidação, em texto único, das normas voltadas diretamente ao eleitor. A resolução reúne direitos, deveres e um calendário específico com datas de interesse do cidadão.

Segundo o relator, trata-se de um verdadeiro “estatuto da cidadania”, facilitando o acesso às informações e fortalecendo a participação democrática.


Participação social recorde

As resoluções foram debatidas em audiências públicas realizadas em fevereiro e receberam 1.618 sugestões, número considerado histórico pelo Tribunal. Pela primeira vez, representantes indígenas foram ouvidos fora de Brasília, em audiência realizada em Belém (PA).

Para a ministra Cármen Lúcia, o resultado consolida um trabalho “profundo e comprometido com a cidadania brasileira”, garantindo clareza e estabilidade às regras que vão orientar o processo eleitoral de 2026.