
Ex-senador afirma estar à disposição do MDB para concorrer à Câmara ou ao Senado e faz duras críticas ao cenário político nacional
O ex-senador Amir Lando, de 81 anos, voltou a se colocar no cenário político de Rondônia ao afirmar que está à disposição do MDB para uma eventual candidatura ao Legislativo federal nas eleições de 2026. A declaração foi feita durante entrevista concedida ao portal Rondônia Dinâmica, na sexta-feira (13).
Durante a entrevista, o ex-parlamentar afirmou que ainda não é oficialmente candidato, mas destacou que poderá disputar uma vaga na Câmara dos Deputados ou no Senado caso haja espaço dentro da composição partidária em Rondônia.
Professor, advogado e político com longa trajetória no estado, Amir Lando construiu parte significativa de sua carreira em Brasília. Ele assumiu o Senado em 1990 após a morte do então senador Olavo Pires e ganhou destaque nacional ao atuar como relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou o esquema envolvendo PC Farias, investigação que contribuiu para o processo de impeachment do ex-presidente Fernando Collor.
Ao longo da carreira, também exerceu funções relevantes no cenário político nacional, incluindo o cargo de ministro da Previdência Social no primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lando ainda participou de investigações de grande repercussão, como a presidência da CPMI do Mensalão e a relatoria da CPMI dos Sanguessugas, que apurou o escândalo conhecido como Máfia das Ambulâncias.
Ao explicar por que ainda considera disputar uma nova eleição, mesmo aos 81 anos, o ex-senador afirmou que acredita poder continuar contribuindo com o país e com Rondônia.
“Eu penso que as pessoas que foram para Brasília, na Câmara e no Senado, não me substituíram. Porque o político tem que ter duas coisas: convicções e compromisso”, declarou.
Críticas ao cenário político
Durante a entrevista, Amir Lando também fez críticas ao atual funcionamento do Congresso Nacional. Segundo ele, muitos parlamentares têm priorizado a disputa por emendas orçamentárias e interesses individuais em detrimento da construção de projetos estruturantes para o país.
O ex-senador classificou como problemático o modelo atual de distribuição de recursos por meio de emendas parlamentares e criticou especialmente mecanismos que envolvem pouca transparência.
“Essa bandalha mercado persa das emendas, eu quero destruir”, afirmou ao comentar o que considera um modelo distorcido de aplicação de recursos públicos.
Apesar do tom crítico, Lando destacou que não defende necessariamente o fim das emendas parlamentares, mas sim maior transparência e direcionamento dos recursos para projetos estruturantes capazes de gerar desenvolvimento.
Investigações e combate à corrupção
Ao relembrar sua atuação em comissões parlamentares de inquérito, Amir Lando afirmou que sempre conduziu as investigações com base em provas e critérios técnicos.
Um dos episódios mencionados foi a CPI dos Sanguessugas, que investigou um esquema de fraudes envolvendo a compra de ambulâncias com recursos públicos e que teve repercussão nacional.
Questionado sobre críticas recebidas na época, o ex-senador afirmou que repetiria suas decisões caso estivesse novamente na mesma situação.
“Eu faria tudo a mesma coisa, porque ou você é correto e busca impor a correção, ou então você entra nessa do faz de conta”, afirmou.
Debate sobre o futuro político
Na entrevista, Amir Lando também comentou o posicionamento do MDB para as eleições presidenciais de 2026. Segundo ele, o partido ainda precisa aprofundar o debate interno sobre o tema.
Para o ex-senador, em Rondônia a legenda poderia adotar uma postura de neutralidade no pleito nacional, priorizando a construção de propostas e projetos para o país.
Desafios do futuro
Na parte final da entrevista, Amir Lando abordou temas ligados ao futuro do mercado de trabalho e aos impactos das transformações tecnológicas. Ele destacou preocupação com os efeitos da automação, da inteligência artificial e da robotização na geração de empregos.
Segundo ele, o Brasil e Rondônia precisam investir na qualificação da mão de obra para garantir oportunidades às novas gerações.
Para o ex-senador, é fundamental que o estado crie condições para que os jovens encontrem oportunidades de trabalho e desenvolvimento sem precisar deixar suas cidades e famílias em busca de emprego em outras regiões do país.
Informações: Rondônia Dinâmica
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