Cada país tem até as 13h para confirmar voto por escrito

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Porto Velho, RO - chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, e representantes de setores empresariais europeus comemoraram, nesta sexta-feira (9), a conclusão provisória das negociações do acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, iniciadas há cerca de 25 anos. Apesar do avanço, o Conselho da União Europeia ainda não anunciou oficialmente a assinatura do tratado.

Em publicação na rede social X, Merz classificou o acordo como um marco histórico.

“O acordo UE-Mercosul é um marco na política comercial europeia e um forte sinal da nossa soberania estratégica e capacidade de ação”, escreveu.

 

“Isso é bom para a Alemanha e para a Europa, mas 25 anos de negociações foram muito longos — precisamos avançar mais rápido”, acrescentou.

Repercussão entre os países

ministra das Relações Exteriores da Áustria, Beate Meinl-Reisinger, também manifestou entusiasmo com o avanço do acordo, apesar de seu país ter votado contra a iniciativa.

“Estou emocionada! Finalmente há uma maioria entre os Estados-membros da UE para a assinatura do acordo com o Mercosul”, afirmou nas redes sociais.

Ela lamentou a posição adotada por Viena e defendeu maior integração comercial.

“Nossa economia, nossos negócios e nossa prosperidade se beneficiarão enormemente disso”, disse, acrescentando que a Áustria deve aprofundar relações com outros parceiros estratégicos, como a Índia, com quem já negocia um acordo bilateral.

Segundo a ministra, o fortalecimento de laços comerciais é essencial diante das transformações na ordem global.

“A Europa — e a Áustria também — precisa de novos parceiros. Temos agora de aprofundar os nossos laços com outras regiões do mundo”, destacou.

Resistências ao acordo

ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural da Polônia, Stefan Krajewski, afirmou que, além de seu país e da Áustria, França, Hungria e Irlanda também se posicionaram contra o acordo.

“Se a Itália estivesse do nosso lado, o acordo seria bloqueado”, lamentou.

Krajewski alertou para os impactos negativos sobre o setor agrícola.

“Infelizmente, as consequências desta decisão afetarão todos nós. Vamos proteger os agricultores poloneses”, afirmou, ressaltando que o Parlamento da Polônia estuda mecanismos legais para garantir proteção e eventuais compensações ao setor produtivo.

Apoio da indústria

Em nota, a Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (Acea) classificou o apoio da maioria dos Estados-membros como um “momento marcante” e um sinal de que a Europa pretende manter uma economia aberta, competitiva e orientada ao comércio internacional.

Segundo a entidade, o acordo deve reduzir de forma significativa as tarifas sobre veículos fabricados na UE — atualmente de até 35% — além de eliminar obstáculos técnicos ao comércio e fortalecer as cadeias de suprimento de matérias-primas estratégicas.

“A Acea insta agora os tomadores de decisão do Parlamento Europeu a ratificar rapidamente o acordo, para que todos os setores envolvidos possam se beneficiar de suas vantagens comerciais e estratégicas”, afirmou a associação.

Próximos passos

De acordo com a agência Reuters, os embaixadores dos 27 Estados-membros da UE indicaram as posições de seus governos na manhã desta sexta-feira. A confirmação formal dos votos, no entanto, deve ocorrer até as 17h (13h, horário de Brasília).

Ainda segundo a agência, ao menos 15 países, que juntos representam 65% da população total do bloco, votaram a favor da assinatura, conforme exigido pelas regras europeias.

Caso o resultado seja confirmado, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá viajar ao Paraguai já na próxima semana para ratificar o acordo com os países do Mercosul, bloco formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

Parlamento Europeu ainda precisará aprovar o texto para que o acordo entre oficialmente em vigor.

Fonte: Agência Brasil