
Porto Velho - RO, O Governo Federal enviou ministros a Mato Grosso do Sul no sábado (31/10/2026) para averiguar denúncias de ameaças, racismo e violência contra comunidades indígenas ocorridas após o segundo turno das Eleições Gerais de 2026. A ação interministerial reuniu representantes dos ministérios dos Povos Indígenas, da Justiça e Segurança Pública e dos Direitos Humanos e da Cidadania para coordenar medidas de segurança e encaminhar os casos para apuração policial.
O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, e a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, estiveram nas aldeias Taquapery, no município de Coronel Sapucaia, e Sassoró, em Tacuru. O objetivo da visita foi consultar as lideranças locais e verificar a necessidade de providências adicionais. Paralelamente, equipes da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) foram deslocadas até os locais para prestar assistência e verificar informações, sob o acompanhamento do Departamento de Mediação e Conciliação de Conflitos Fundiários Indígenas (DEMED).
Em Dourados, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, coordenou uma reunião de trabalho com a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, a Força Nacional de Segurança Pública e órgãos locais, incluindo a Secretaria de Segurança Pública e as polícias Civil e Militar de Mato Grosso do Sul. A estrutura montada no estado envolve atuação ininterrupta da Superintendência da PF em Campo Grande e de cinco delegacias no interior, além de suporte de inteligência da PRF e patrulhamento da Força Nacional no terreno. Um grupo de trabalho foi criado para acelerar o fluxo e o tratamento das denúncias.
Dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania indicam que, até 30 de outubro, o país contabilizava 189 denúncias relativas a episódios de violência política, intimidação e discriminação vinculados ao pleito eleitoral, incluindo casos de agressão física, xenofobia e assédio eleitoral no trabalho. No segmento específico dos povos indígenas, o Ministério dos Povos Indígenas recebeu dez denúncias, que foram repassadas aos órgãos competentes de investigação.
Diante do cenário, o ministério disponibilizou o Programa de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos (PPDDH), que atualmente atende 90 pessoas no estado, das quais 86 são indígenas — sendo 84 do povo Guarani e Kaiowá e duas do povo Terena. Durante o encontro com a imprensa, as autoridades reforçaram a necessidade de a população formalizar os relatos por meio dos canais oficiais, como o número 190 da Polícia Militar, boletins na Polícia Civil, Ministério Público, Disque 100, Ouvidorias e a Plataforma Fala BR, além de guardar registros como áudios, vídeos e contatos de testemunhas.
A mesa da entrevista coletiva reuniu os três ministros, as deputadas federais Sônia Guajajara e Célia Xakriaba, a secretária Nacional de Acesso à Justiça, Sheila de Carvalho, a secretária Nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, Tassiana Cunha Carvalho, o diretor-geral da PRF, Fernando Oliveira, o delegado da Polícia Federal Humberto Freire e o coordenador-geral de Fronteiras e Amazônia, coronel Ronimar Jobim.
Fonte: Agência Gov
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