
Nos bastidores, o recado foi direto, seco, sem rodeios. Segundo aliados, Laerte teria dito ao próprio governador:
“Aqui tem homem e com mandato só eu, Cássio Góes e Eyder Brasil.”
A frase caiu como pedra no lago e espalhou ondas por todo o PSD.
Clima fechado no PSDAo lado de Cássio Góes, Laerte Gomes endureceu o discurso e deixou claro que não abre espaço para novos nomes na chapa. O gesto escancara um racha interno e expõe a dificuldade de Marcos Rocha em alinhar sua base aliada, mesmo presidindo o partido.
E o problema não para por aí.
O “problemão” para acomodar aliadosAlém do embate no PSD, o governador enfrenta outro desafio espinhoso: onde alojar tantos aliados de peso. Estão na fila nomes como Carlos Magno e os deputados estaduais Pedro Fernandes Ribeiro (SINPOL), Edevaldo Neves, Nim Barroso, Jean Oliveira, Cirone Deiró, Ismael Crispin, Delegado Lucas e Dr. Luiz Hospital.
A alternativa? Buscar abrigo em outras siglas. PRD, PSD, Novo e até o quase extinto DC entram no radar do Palácio Rio Madeira. Vale tudo para manter o time unido — e competitivo.
Muitos caciques, poucas “escadinhas”O nó central da crise é matemático e político. Marcos Rocha tem 16 deputados estaduais aliados e precisa alinhá-los e elegê-los. Missão nada simples.
Hoje, ser deputado estadual virou um cargo altamente disputado:
R$ 21 milhões em emendas parlamentares;
Gabinetes com cerca de 80 assessores;
Estrutura na Assembleia Legislativa que pode elevar custos e salários para até R$ 110 mil;
Mais de 100 assessores somando gabinete, comissões e estrutura da ALE;
Além de dezenas de cargos no Governo de Rondônia e em prefeituras.
Com tanta regalia em jogo, ninguém quer ficar de fora. O problema é que faltam votos.
Um deputado estadual tem por mês só na Assembléia Legislativa quase R$ 700 mil mensal, enquanto os novatos entram com a cara e coragem.
Eleição mais cara e menos candidatosEm 2022, apenas 45 candidatos a deputado estadual conseguiram ultrapassar a marca de 5 mil votos, em um universo de mais de 600 candidatos. Agora, com a mudança na legislação eleitoral, o número de candidatos deve cair para cerca de 300, e os partidos não prepararam novos quadros.
Resultado:Um xadrez difícil de jogar
Todo mundo aprendeu a fazer conta;
Todos entendem de nominata;
As campanhas estão cada vez mais caras;
E os tradicionais “escadinhas”, aqueles candidatos de 1 a 5 mil votos, estão em falta no mercado político.
Marcos Rocha tenta costurar, negociar, rearrumar o tabuleiro. Mas o jogo está duro. Muito cacique, pouco índio, como diria a política antiga. E enquanto isso, Laerte Gomes segue irredutível, fincando o pé no chão como quem diz: daqui não saio.
O PSD, o PRD, o Novo e até siglas esquecidas entram na dança. O governador joga pesado, mas sabe: alinhar aliados, montar nominatas e garantir reeleição nunca foi tarefa fácil — e agora, menos ainda.
Na política rondoniense, o tempo passa, as leis mudam, mas a essência continua a mesma: quem não calcula, cai. E quem não acomoda, racha.
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