Porto Velho, RO - Na segunda parte da Resenha Política, com Robson Oliveira, apresentada em parceria com o Rondônia Dinâmica, o prefeito de Porto Velho afirma que “avançamos consideravelmente” na rede municipal, projeta hospital universitário para 2026, relata tratativas sobre o anel viário e Expresso Porto e sustenta que “não tenho nenhum interesse em ser candidato ao governo”
Na primeira parte da entrevista ao podcast Resenha Política, com Robson Oliveira, o prefeito de Porto Velho, Léo Moraes (Podemos), concentrou o discurso em temas que dominaram o trecho mais controverso do programa: a crise da coleta de lixo, o que descreveu como “imbróglio judicial”, cobranças sobre enchentes e drenagem, além de indicadores que ele atribuiu ao cenário herdado — entre eles, a frase “Nós recebemos Porto Velho como uma pior qualidade de vida, segundo o Índice de Progresso Social” . Ao tratar do lixo, ele também resumiu a posição da gestão com a afirmação “Essa gestão cumpre as determinações e as decisões dos homens” .
Agora, na segunda parte, o prefeito muda o foco: a conversa avança sobre saúde municipal (UPAs, unidades básicas, especialidades, equipamentos e um novo modelo de atendimento noturno), passa por transporte e obras com ênfase no que chamou de intervenções “estruturantes”, responde a críticas sobre diárias e remunerações, detalha a aquisição de um hospital para transformar a unidade em Hospital Municipal Universitário com a Unir e a EBSERH, e entra no terreno político ao falar de eleições de 2026, apoios e o papel do Podemos. No fim, Léo Moraes também abordou o anel viário e Expresso Porto, compliance e transparência, e comentou o Natal Cidade Luz, encerrando com uma negativa direta sobre a candidatura estadual.
Na abertura do segundo programa, Robson Oliveira explica ao público que o especial foi dividido.
“Especialmente, dividimos esse programa de Natal, esse brinde de Natal que nos fez o prefeito da capital, em dois blocos”, diz o apresentador, justificando que havia “muitos temas a serem apresentados” e que demonstra fazer perguntas “as mais ácidas e as mais simples”. Ele então chama: “Quem não assistiu à primeira parte, fique agora com a segunda parte da Resenha Política com o prefeito de Porto Velho, Léo Moraes”.
Provocado por Robson sobre a saúde como pauta eleitoral e sobre a situação “um ano após a sua posse”, com foco em UPAs e unidades básicas, Léo Moraes afirma: “Avançamos consideravelmente, Robson”. Em seguida, descreve o diagnóstico que, segundo ele, encontrou na rede: “A gente tinha a pior saúde municipal do Brasil, entre capitais e cidades de média e grande porte, completamente abandonada, num desleixo”.
Na sequência, o prefeito inseriu um agradecimento e descrição sobre o que chama de dificuldades internacionais do setor:
“E aqui é bom que se diga, Robson, eu agradeço aos profissionais da saúde, por conta das nossas dificuldades que foram impostas”, citando a necessidade de debate com categorias como “nossos enfermeiros, técnicos, auxiliares de enfermagem”. Ele confirma pendências: "É uma outra realidade. Carece de muito a ser feito? Sem sombra de dúvidas".
Léo Moraes menciona, como referência, “Relatório do MP” e apresenta números específicos sobre unidades e população desassistida: “são 13 unidades em completa ruína” e “100 mil pessoas que são desassistidas”. Ele define essa lacuna como “um bolsão de falha de atendimento, de carência, que não tem unidade”.
Entregas transferidas: unidades, especialidades e equipamentos
Ao ser questionado sobre como resolver, o prefeito enumera entregas que ocorreram no primeiro ano. Entre elas, cita a entrega de Manuel Amorim de Matos:
“Nós já conseguimos entregar no primeiro ano de gestão, o Manuel Amorim de Matos, que estava lá pelado, que não tinha nada”, descrevendo estrutura, “efetivo, com ar-condicionado, com mobília, climatização, regulação, trabalhando”. Ele também cita a “Unidade da Vila Teotônio” e o “Centro de Especialidades Médicas, Rafael Vazesilva”, “entregue com mais de 20, são 24 especialidades”.
Ele afirma ainda que foram incluídas “mais novas quatro especialidades, dentre elas ginecologista e oftalmologista”, e menciona exames e equipamentos, dizendo que “a gente não tinha mamógrafo. Mamógrafo há anos” e reforçando: “Porto Velho não tinha um mamógrafo. Uma cidade de 500 mil habitantes”. Na fala, a prefeitura teria colocado em funcionamento “Mamógrafo de última geração”.
“Corujão da Saúde”: atendimento noturno e tentativa de desafogar UPAs
Um dos pontos centrais do bloco é o “Corujão”. Léo Moraes afirma que a gestão implantou o “Corujão da Saúde” em áreas como Zona Leste e Zona Sul, e, ao ser solicitado a explicar, define: “Corujão da Saúde é um atendimento de seis da tarde até meia-noite”. Na justificativa, ele afirma que “isso superlotava as nossas UPAs” e atribui parte do problema a “uma questão cultural”, descrevendo comportamentos de busca por urgência: “Ela já está condicionada a ter uma dor de dente direto pra UPA… Ela tem uma dor de cabeça, UPA”.
Na sequência, ele relata que a prefeitura tem comunicado orientações do tipo "dor de barriga? Vai pra unidade de saúde... Tá tendo convulsão... Vai pra UPA", afirmando que a estratégia serviria para conter a demanda e melhorar a distribuição: "Tu consegue melhor distribuir" e "tu deixa de abarrotar" estruturas que, segundo ele, "sempre tem lotado por conta dessa carência que o MP deveria". Ele diz também que as unidades passaram a oferecer especialidades “que nunca tiveram, como é o caso de pediatra”.
Raio-x digital e prontuário: “sete novas máquinas”
No tema de exames, Moraes aborda diretamente as quebras recorrentes de raio-x: “meses e meses do ano, a máquina de raio-x é quebrada. E assim que era, e era a regra”. Ele descreve um circuito de posicionamento do paciente entre unidades e afirma que a prefeitura implantou “novas sete máquinas de última geração”, acrescentando: “o laudo sai direto no computador do médico”. Ele também diz que buscou “acabar essa história de você ter que retirar pessoalmente o seu exame”, mencionando que, com cadastro, seria possível retirar “seus exames nos últimos 10 anos”.
Na modernização administrativa, ele cita a implantação do “SEI, Sistema Eletrônico de Informação”, dizendo que a cidade estaria “integrada com todo o Brasil, com todos os órgãos, Justiça Federal, TRE, Justiça do Estado e por aí vai”. No planejamento, anuncia “uma unidade de saúde modelo” em conjunto habitacional, “provavelmente no orgulho da madeira”.
UPA Zona Leste e emenda: “execução de emenda seletiva”
Uma conversa avançada para a UPA Zona Leste. Léo Moraes afirma que, quando era deputado, “indiquei um recurso há muitos anos atrás para fazer a reforma da UPA da Zona Leste”, estimando “cerca de 3 milhões” e dizendo que o processo ficou “anos, parado”. Ele classifica o que teria ocorrido em duas possibilidades e afirma: “Se é proposital, se é por incompetência, um é tão criminoso quanto o outro”.
Robson interpreta como possível retaliação, e o prefeito responde: “Robson, existia uma execução de emenda seletiva”. Ele cita exemplos de ordens de serviço e menciona parlamentares de “qualquer matriz política”, dizendo que, “desde que a Jude Porto Velho tá lá as coisas acontecendo”. Ao final, afirma que a UPA está em reforma e que teria um atendimento provisório “na Upinha, próximo à UPA”.
Asfalto e drenagem: escavação, “barro preto” e quatro intervenções
Ao ser questionado sobre obras e drenagem, Léo Moraes afirma que a gestão presta atenção ao tema e cita um caso: “nos deixaram… uma obra profunda, caótica”, apontando a região “na Calama, em direção ao Cristal da Calama”. Ele diz que houve necessidade de escavar “1,80 m” e que foi retirado “barro preto, terra podre naquela área”, relacionando isso às limitações de “tapa-buraco, requalificação”.
O prefeito afirma que há asfalto “se esfacelando” e “derretendo em muitas áreas”, chamando de “um problemaço”. Em seguida, descreve soluções por decisão e diz que existem “três grandes, quatro grandes decisões de orientação”. Nesse ponto, ele traz uma avaliação sobre visibilidade de obras: “Se enterra, ninguém vê e não dá voto”, e diz que a gestão estaria adotando “a lógica reversa”, por considerar a drenagem “um calo… uma dor da população”.
Ele afirma que a prefeitura tem feito drenagem antes do asfalto em alguns casos: “feito primeiro esse ano a drenagem profunda e manipulação para a gente conseguir asfaltar no ano seguinte”, com planejamento para “ter uma obra”.
Críticas sobre diárias e horários: teto e “jetons”
Robson Oliveira insere críticas direcionadas à gestão, chamando de “festival de diárias” e citando “salários de 50 mil reais”. Ao questionar o teto, Léo Moraes responde de forma direta: “46 mil”. O prefeito também menciona que já deveria ter “falado da outra vez sobre os jetons” e afirma: “Todos os jetons criados foram da administração anterior”. Em seguida, descreve o pagamento como “um benefício diante do grupo de trabalho” e sustenta que, na gestão atual, esses grupos “têm feito a diferença”.
Na avaliação dele, as críticas “tão vazias, sem muita fundamentação” indicavam que a administração estaria “trabalhada na base atendida”. Ele também admite dificuldades de verificação em uma “cidade continental”, com “grande, gigante estrutura”.
Hospital Municipal Universitário: compra, Unir, EBSERH e previsão de operação em 2026
O bloco mais longo do programa entra no tema do hospital. Robson apresenta a sequência: aquisição com “recurso próprio”, conversas com MEC e possibilidade de se tornar “hospital escola”. Léo Moraes confirma a direção e contextualiza que o assunto esteve no “plano de governo, propostas durante a campanha”, afirmando: “eu não abria mão de nós avançarmos sobre isso”.
Ele argumenta que Porto Velho seria “a única capital do Brasil que não tem um hospital municipal ou um universitário” e reforça: “Porto Velho é capital, não tem atendimento de urgência, não tem hospital universitário, não tem hospital municipal”. Ele relata conversa com a reitora da Unir, “a professora Marília Pimentel”, e diz que, no desenho do projeto, a gestão passou a tratar da entrega de um “hospital municipal universitário”, citando inclusive um nome: “a GAMUP, Hospital Municipal Universitário de Porto Velho”.
Para explicar, Léo Moraes afirma que a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares vinculada ao Ministério da Educação invejou técnicos, fez diligências e, “posteriormente a isso, fez um relatório” com indicativos sobre o caminho. Ele diz que o modelo indicado foi “a aquisição a compra de unidade de saúde” e detalha a lógica: “O município realiza a aquisição para em ato contínuo” entregar o bem, enquanto a universidade faria contrato com a mantenedora e a permanência unidadeia vinculada ao MEC.
O prefeito afirma que a estrutura teria foco em supervisão e ampliação de serviços como “especialidades, realização de cirurgias, de UTI”. Também chama atenção para o “custeio”, dizendo que é “altíssimo” e que a maior parte seria assumida pelo governo federal, citando ministros: “O ministro Camilo veio aqui, o ministro Padilha veio mais de uma vez”, além do presidente da empresa: “o presidente Kiuru da EBSER”.
Sobre o cronograma, afirma: “nós imaginamos que em 2026 ele esteja operacional”, e diz que a prefeitura cobra “essa mesma velocidade” dos outros níveis para “colocar ele pra funcionar”. No debate sobre capacidade, projeções de expansão “pra que a gente tenha 150 até 170 leitos”, enquanto a discussão inicial seria “para que tenha 50 leitos em atendimento”.
Robson questiona por que um hospital já está em funcionamento demorado para operar como público. Léo Moraes responde que teria “toda a desmobilização… toda a reforma” e explica que, por ser “hospital universitário”, há necessidade de processos de seleção, concurso e outras etapas: “tem que fazer, não tem boca, não tem pra onde fugir”. Ele sustenta que o projeto teria objetivos múltiplos: “a gente faz regulação do município, a gente vai ter um hospital municipal e a gente vai ter principalmente hospital universitário”, com formação e fixação de profissionais. Na frase dele: “fincar raízes, você se estabelece em Porto Velho”.
Inclusão e formação: ônibus e curso de terapia ocupacional
Ainda no eixo de políticas sociais, Léo Moraes afirma: “criamos o primeiro ônibus de atendimento que gratuitamente leva as unidades para terapias”, e aponta uma carência: “a gente tem uma carência de TO, de terapeuta ocupacional”. Ele relata o pedido à reitora a criação do curso na universidade: “Conversei com a professora Marília… que ela estabeleceu esse curso de TO dentro da Universidade Federal de Rondônia”. Na argumentação, ele descreve como “uma questão mercadológica”, dizendo que há “falta de TO no privado” e que, no público, a necessidade seria ainda maior.
Eleições 2026: apoios, partido e recusa de candidatura ao governo
A reta final do programa entra diretamente nas eleições. Robson afirma que diversos candidatos prováveis a governador elogiam o prefeito e perguntam sobre conversas, lembrando que ele é presidente de partido. Léo Moraes responde: “Sim, eu converso… já conversei com a Fúria” e afirma que “Quem consegue falar sobre processo eleitoral?
Sobre Confúcio Moura, a fala delimita: “não discutimos sobre política”, embora reconheça ajuda “na discussão do Ministério das Cidades, na questão do hospital universitário”. Ele afirma que deixa claro aos detalhes: “eles que se virem nesse momento para construir os caminhos”, justificando que têm “bastante aqui para me dedicar em Porto Velho”.
No papel do Podemos, afirma que o partido “continua sendo o partido dos que mais crescem em Rondônia” e reivindica protagonismo para promover “a maior população administrada do estado de Rondônia”, citando cidades. Diz haver intenção de “ter candidatura ao governo, de ter candidatura ao Senado, de montar uma chapa”.
Quando Robson abre sobre nomes, Léo Moraes menciona quadros e elogia gestores, dizendo: “Flori [refere-se a Flori Cordeiro], em Vilena, que faz uma gestão super exitosa, de muita qualidade, com muitos resultados” e afirma: “Na área da saúde, é a melhor saúde do estado… disparadamente”. Ele também cita: “Rodrigo Camargo”, apresentando-o como “um grande nome”.
Ao ser provocado sobre Rodrigo Camargo como candidato, Léo afirma que ele “nem é do Podemos ainda”, mas diz: “Eu gosto muito do perfil do Rodrigo como candidato majoritário”. Em um trecho mais conceitual, defina a própria posição: “Eu tenho uma posição de centro-direita” e insista que, no Executivo, é necessário “governar para toda a população”.
No tema da inclusão, ele atribuiu a Rodrigo “sensibilidade para pautas que me comovem”, citando “neurodivergência… autismo”, e afirma: “A gente está construindo, provavelmente, um dos maiores casos do autista da América Latina aqui em Porto Velho”, além de mencionar “um ônibus específico” e “uma sala de educação especial”.
No estágio, Robson retomou a provocação sobre a candidatura. Léo Moraes responde primeiro sobre permanência na prefeitura: "O mandato de Léo de 4 anos vai ser cumprido" e diz: "Meu desejo... meu amor. Estar aqui em Porto Velho trabalhando muito". E, ao final do programa, crava: “Não tenho nenhum interesse em ser candidato ao governo, tenho interesse em mudar Porto Velho”. Na despedida, complementa: “Eu amo minha cidade e nós vamos mudar essa cidade, se Deus quiser”.
Anel viário, Expresso Porto e fluxo de caminhões: “matamos no peito”
Em outro trecho, Robson associa o debate de futuro ao porto e à logística, citando o impacto de carretas no trânsito. Ao ser questionado sobre anel viário, Léo Moraes afirma que o tema foi empurrado por anos: “muitos e muitos anos, joga pra lá, joga pra cá”. Em seguida, diz: “Nós puxamos a responsabilidade, matamos no peito e vamos ter que avançar sobre isso”.
Ele argumenta que o problema não é apenas econômico, mas de segurança e efeitos urbanos: “É sobre esses caminhões que entram em Porto Velho e geram transtornos, estresse, acidente e morte”. Descreve ações e músculos: diz que “concentramos a parte das licenças”, que discutiu com a operação da BR-364 (“a nova 364”) e relata uma tentativa de controle de fluxo em horários de pico: “Provocamos o Denit… um fluxo controlado no horário de rush”, afirmando que “foi publicado”, mas “infelizmente revogaram a publicação por conta de pressão”.
Ele descreve ainda o caminho atual de trânsito e o desgaste viário, e diz que a gestão buscou apoio do Ministério dos Transportes e tratou de contrato e prazos com a agência (ele cita “NTT” durante o relato), afirmando que pretende reduzir o prazo previsto: “Previsão do contrato era de seis anos, pra que a gente em dois anos tenha o tão sonhado asfalto no Expresso Porto”. Depois, menciona avanços futuros para um anel viário, com referências locais, e resume que já tinha “relatório” e que “a licença prévia já também foi autorizada ambiental”, com responsabilidade entregue ao município.
Transparência, compliance e Natal Cidade Luz: “nota 10” e “selo diamante”
Antes do encerramento, Robson questiona se os processos de Natal foram “direitinho”, citando histórico de operações policiais em inícios de gestão. Léo Moraes responde que é uma atividade que “requer muita atenção” e afirma que tem fortalecido “mecanismos de contenção, de monitoramento de cumplicidade, integridade”. Na sequência, elenca reconhecimentos: “recebemos nota 10 de transparência da CGU” e diz que Porto Velho recebeu “o selo diamante”, mencionando aumento de nota em relação ao ano anterior.
Sobre o Natal, ele afirma: “nós gastamos menos do que o ano passado, temos mais que o dobro de área iluminada, com muito mais interação”. Cita atrações como “patinação no gelo”, “a casa do Papai Noel”, “Parque Nevado” e “um trenzinho”, além de ampliação de iluminação em avenidas e distritos. Diz que, “pela primeira vez na história”, houve iluminação de prédios históricos e menciona a árvore: “a nossa árvore de Natal é a maior da história… 36 metros”. Também afirma que por volta de “dia 12… de dezembro” já havia “400 mil pessoas” circulando, com “IA, reconhecimento facial e roleta” e “checagem automática”.
Ao se despedir, Léo Moraes agradece e deseja boas festas, dizendo: “Desejo boas festas para toda a população”, e encerra a participação mantendo a negativa sobre a candidatura estadual e reforçando o compromisso com a capital.
Fonte: Rondônia Dinâmica

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