Professor da Fundação Dom Cabral aponta que incerteza eleitoral deve provocar oscilações fortes na bolsa e adiar decisões de investimento. - Foto: Reprodução B3

Porto Velho, RO - O mercado financeiro brasileiro deve enfrentar um ano de fortes oscilações em 2026. A avaliação é do economista Eduardo Minicucci, professor associado da Fundação Dom Cabral, que participou do UOL News nesta segunda-feira (8). Segundo ele, a combinação de polarização política, incerteza sobre candidaturas presidenciais e dúvidas fiscais deve manter os investidores em alerta.

“2026 será o ano da volatilidade. A cada nova pesquisa divulgada, teremos reações imediatas do mercado. Isso adia decisões de investimento até que o cenário eleitoral esteja mais claro”, afirmou o economista.
 
Por que 2026 deve ser tão instável para o mercado?

Fatores apontados por Minicucci:
  • Ambiente eleitoral polarizado, que aumenta a imprevisibilidade.
  • Definição tardia de candidaturas, prolongando a incerteza.
  • Sensibilidade dos investidores ao risco fiscal e ao comportamento da dívida pública.
  • Reações rápidas da bolsa e do câmbio a cada pesquisa eleitoral.
Segundo Minicucci, episódios semelhantes ocorreram em eleições anteriores, mas 2026 tende a ser “mais intenso” por causa do cenário internacional ainda fragilizado e das divergências políticas internas.
 
Investidores devem adiar decisões


O economista afirma que empresas e fundos costumam adotar postura cautelosa em anos eleitorais. Em 2026, esse comportamento deve se aprofundar:

“Cada pesquisa mexe com expectativas. Se o investidor não tem clareza sobre quem pode vencer e qual será a agenda econômica adotada, ele prefere esperar.”

Essa indefinição impacta:
  • decisões de expansão empresarial,
  • aportes de investimentos estrangeiros,
  • ritmo da bolsa de valores,
  • e o fluxo cambial.
Cenário atual favorece maior sensibilidade

Para Minicucci, a economia brasileira não está em crise, mas segue em ritmo moderado, o que aumenta a sensibilidade do mercado a qualquer mudança de expectativa.

Ele cita ainda que:
  • O dólar pode ter picos de valorização ao longo do ano.
  • A bolsa deve registrar altas e quedas abruptas.
  • Investidores procurarão ativos mais seguros até o fim da eleição.
O que esperar pós-eleições?

O comportamento do mercado deve depender diretamente do perfil do vencedor:
  • Se o eleito indicar compromisso com o equilíbrio fiscal e reformas, a tendência é de rápida recuperação do otimismo.
  • Caso haja dúvidas sobre a política econômica, o período de instabilidade pode se prolongar.