
Exibições semanais reforçam a conexão histórica entre a cidade e a ferrovia
Porto Velho, RO - O ar vibra antes mesmo que ela se aplique. Um apito longo corta o silêncio, as crianças se aproximam correndo e os mais antigos respiram fundo, como quem permitiu um velho amigo. O cheiro de óleo queimado, o rangido das rodas de ferro e a brisa quente do Madeira compõem uma sinfonia que só quem vive Porto Velho entende. Quando a Locomotiva 18 finalmente entra em movimento, o Complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré se transforma em um cenário onde passado e presente caminham lado a lado.
Eduardo faz questão de ensinar seus filhos, Pietro, Matteo e Arwun, o valor do patrimônio cultural da cidade.
Em mais uma exibição da Locomotiva 18, neste domingo (23), moradores e visitantes puderam contemplar a história viva. Entre as famílias, estava Eduardo, que há 20 anos escolheu Porto Velho para viver. Pai de três filhos portovelhenses, ele faz questão de ensinar às crianças o valor do patrimônio cultural da cidade. Com orgulho, conto: “Estamos muito felizes que o prefeito conseguiu reinaugurar o espaço. Viemos bastante aqui aproveitar o final da tarde. É muito interessante ver a locomotiva e o museu, e faço questão de ensinar meus filhos sobre o valor que tudo isso representa.”
Ensinamentos que Pietro já aprendeu com o pai. Apesar da pouca idade, ele chamou atenção pela maturidade, valorizando o patrimônio com um respeito que transcende gerações. "Foi emocionante, foi muito bom, porque é um patrimônio material aqui de Porto Velho. Eu achei muito emocionante. Com certeza, vou chamar meu pai para virmos nos próximos domingos", reforçou Pietro.O prefeito Léo Moraes e o secretário Aleks Palitot estiveram presentes no evento.
“Nunca vi um trem andando até hoje, estou muito feliz.”
Em meio ao apito da locomotiva, o prefeito deixou que a emoção falasse mais alta. Ao olhar para as pessoas presentes, fez uma pausa, como quem volta no tempo, e acabou um pedaço da própria história: “Eu tive a oportunidade de tantas e tantas vezes ir até a igrejinha, todo final de ano. Papai me trazia também aqui com minha família uma vez por ano, e mais essa da escola, isso é maravilhoso. Essa memória afetiva, a construção de laços com a nossa cidade traz identidade e senso de cuidado, de proteção e de propriedade. A cidade nos pertence e pertence a toda a população”, relembrou.
À medida que o sol se despedia atrás das margens da Madeira, a Locomotiva 18 segue firme, cortando o tempo e despertando memórias. Entre risos de crianças, olhares emocionantes e histórias que renascem a cada apito, Porto Velho reafirma sua relação profunda com a ferrovia que marcou sua origem. E assim, domingo após domingo, a Madeira-Mamoré volta a pulsar, lembrando a todos que preservar a memória é também manter viva a alma da cidade.
Texto: Françoise Almeida
Fotos: José Carlos
Fonte: Secretaria Municipal de Comunicação (Secom)
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