
Porto Velho, RO – A presença de facções criminosas disparadas na Amazônia Legal e atingiu 45% dos municípios, segundo levantamento divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) nesta quarta-feira (19). O estudo mostra que 344 das 772 cidades dos nove estados da região registraram atuação de grupos nacionais e estrangeiros — um aumento de 32% em apenas um ano.
De acordo com o relatório, o principal motivo da expansão é o controle das rotas do tráfico de drogas, especialmente no Alto Solimões, além do envolvimento de facções em crimes locais como o garimpo ilegal. Esta é a 4ª edição do estudo Cartografias da Violência na Amazônia, realizada em parceria com o Instituto Clima e Sociedade, Instituto Itausa, Instituto Mãe Crioula e Laboratório Laiv.
O levantamento aponta a existência de 17 facções na região, incluindo o Comando Vermelho (CV), Primeiro Comando da Capital (PCC), grupos locais, dissidências e até organizações internacionais como o Trem de Aragua (Venezuela) e as ex-Farc (Colômbia)
Comando Vermelho domina 286 cidades
O estudo mostra que o Comando Vermelho está presente em 83% dos municípios com facções, influenciando 286 cidades. Desse total, o grupo domina 202 e disputa espaço em outros 84 . O avanço é de 123% desde 2023.
Já o PCC aparece em 90 municípios, com controle de 31 e disputa de hegemonia em 59. Em 2023, o grupo estava em 93 cidades.
Por que o CV cresce mais?
Segundo David Marques, gerente de projetos da FBSP, o CV se capacita para operar de forma descentralizada, permitindo expansão por meio de estruturas semelhantes às “franquias”.
O PCC, por outro lado, atua com decisões mais centralizadas em São Paulo e prioriza parcerias locais e o tráfico em atacado, enquanto o CV aposta no controle territorial, essencial para dominar o varejo e o atacado na Amazônia.
Presença por estado
A força das facções varia conforme a proximidade com fronteiras internacionais. Veja os dados:
- Acre: 22 de 22 (100%)
- Amapá: 10 de 16 (62,5%)
- Amazonas: 25 de 62 (40%)
- Maranhão (parte amazônica): 53 de 181 (29%)
- Mato Grosso: 92 de 141 (65%)
- Pará: 91 de 144 (63%)
- Rondônia: 21 de 52 (40%)
- Roraima: 13 de 15 (80%)
- Tocantins: 17 de 139 (12%)
Violência continua acima da mídia nacional
A pesquisa também revela outros pontos críticos na região:
- 8.047 mortes violentas em 2024 — 31% acima da média nacional;
- Maranhão foi o único estado com alta taxa de homicídios (+11%);
- Amapá lidera o ranking de estados mais violentos;
- Pará e Maranhão concentram os maiores conflitos agrários;
- Os feminicídios são 19% maiores na Amazônia Legal do que na mídia do país;
- Os estupros cresceram na região, com 80% das vítimas tendo 14 anos ou menos;
Facções impõem até regras de comportamento para mulheres, incluindo pedidos de autorização para encerrar relacionamentos.
O estudo alerta que a expansão da criminalidade organizada está diretamente ligada ao enfraquecimento da presença estatal e ao controle das rotas de tráfico, consolidando a Amazônia como um dos territórios mais estratégicos e disputados pelo crime organizado no Brasil.
O estudo alerta que a expansão da criminalidade organizada está diretamente ligada ao enfraquecimento da presença estatal e ao controle das rotas de tráfico, consolidando a Amazônia como um dos territórios mais estratégicos e disputados pelo crime organizado no Brasil.
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