
Porto Velho, RO – Uma auditoria interna no Corinthians revelou um vasto conjunto de irregularidades na gestão dos materiais esportivos fornecidos pela Nike, incluindo retiradas sem registro, falhas graves nos controles internos e até comercialização clandestina de produtos oficiais do clube. O relatório cita diretamente o vice-presidente Armando Mendonça como figura central de inconformidades na administração dos itens.
O documento indica que o clube retirou 41.963 itens da Nike em 2025, número 24% superior ao ano anterior, ultrapassando em cerca de 297% o limite contratual de cota. Mesmo assim, categorias de base e modalidades diversas seguem usando uniformes antigos, precários e remendados, enquanto departamentos relatam falta de peças essenciais.
Principais irregularidades encontradas na auditoria
O relatório lista sete ocorrências graves, entre elas:
O relatório lista sete ocorrências graves, entre elas:
- Acúmulo de materiais de coleções antigas sem destinação;
- Falta de distribuição adequada de peças enviadas pela Nike;
- Ausência de inventário físico no Parque São Jorge há 4 anos;
- Notas fiscais não lançadas, gerando risco fiscal de R$ 6,4 milhões;
- Distribuição desigual de uniformes entre funcionários e atletas;
- Retirada de materiais antes da aprovação formal;
- Solicitações feitas por pessoas sem autorização.
Base sem uniformes e risco no profissional
Apesar do volume histórico de itens recebidos, diversas modalidades seguem sem padronização oficial. Departamentos como esportes aquáticos não receberam uniformes da Nike, e equipes de base utilizam coleções de 2019 e 2021.
A situação chegou ao extremo quando, em setembro, o clube não tinha camisas brancas suficientes para um jogo contra o Fluminense no Maracanã e precisou pedir ao adversário para que ambas as equipes atuassem com uniformes reservas.
Venda ilegal dentro do clube
A auditoria confirmou uma denúncia anônima: funcionários do Corinthians vendiam materiais desviados por R$ 150 a R$ 180. Um colaborador foi flagrado e reconheceu o esquema.
Tensão interna e supostas ameaças
O relatório descreve episódios em que Armando Mendonça teria utilizado “expressões agressivas e alusões interpretadas como ameaças” ao diretor de Tecnologia, Marcelo Munhoes, responsável pela auditoria. O vice ainda teria interferido em reunião com representantes da Nike, constrangendo presentes.
Conclusões e encaminhamentos
A investigação indica:
A investigação indica:
- Falhas processuais críticas;
- Rastreabilidade insuficiente das retiradas;
- Distribuição ineficiente dos materiais;
- Suspeitas de comercialização indevida;
- Recebimento de materiais muito acima da cota anual contratada.
O que diz Armando Mendonça
Em nota enviada ao ge, o vice-presidente:
- Negou ser responsável pela distribuição dos materiais;
- Disse que assumiu controles por encontrar “caos” da gestão anterior;
- Alegou que o relatório é “tendencioso”;
- Afirmou que as retiradas são para “ações de relacionamento”;
- Rejeitou qualquer ato de ameaça ou interferência.
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