Relatório aponta retirada irregular de 131 itens e coloca vice Armando Mendonça no centro do esquema

Porto Velho, RO – Uma auditoria interna no Corinthians revelou um vasto conjunto de irregularidades na gestão dos materiais esportivos fornecidos pela Nike, incluindo retiradas sem registro, falhas graves nos controles internos e até comercialização clandestina de produtos oficiais do clube. O relatório cita diretamente o vice-presidente Armando Mendonça como figura central de inconformidades na administração dos itens.

O documento indica que o clube retirou 41.963 itens da Nike em 2025, número 24% superior ao ano anterior, ultrapassando em cerca de 297% o limite contratual de cota. Mesmo assim, categorias de base e modalidades diversas seguem usando uniformes antigos, precários e remendados, enquanto departamentos relatam falta de peças essenciais.

Principais irregularidades encontradas na auditoria

O relatório lista sete ocorrências graves, entre elas:
  • Acúmulo de materiais de coleções antigas sem destinação;
  • Falta de distribuição adequada de peças enviadas pela Nike;
  • Ausência de inventário físico no Parque São Jorge há 4 anos;
  • Notas fiscais não lançadas, gerando risco fiscal de R$ 6,4 milhões;
  • Distribuição desigual de uniformes entre funcionários e atletas;
  • Retirada de materiais antes da aprovação formal;
  • Solicitações feitas por pessoas sem autorização.
A auditoria aponta a atuação direta de Armando Mendonça, que teria feito retiradas sem registro e solicitado materiais especiais — incluindo 19 camisas comemorativas com patch da NFL. Ele retirou 131 itens entre junho e outubro, além de camisas extras em dias de jogo sob justificativa de “relacionamento da diretoria”.
 
Base sem uniformes e risco no profissional

Apesar do volume histórico de itens recebidos, diversas modalidades seguem sem padronização oficial. Departamentos como esportes aquáticos não receberam uniformes da Nike, e equipes de base utilizam coleções de 2019 e 2021.

A situação chegou ao extremo quando, em setembro, o clube não tinha camisas brancas suficientes para um jogo contra o Fluminense no Maracanã e precisou pedir ao adversário para que ambas as equipes atuassem com uniformes reservas.
 
Venda ilegal dentro do clube

A auditoria confirmou uma denúncia anônima: funcionários do Corinthians vendiam materiais desviados por R$ 150 a R$ 180. Um colaborador foi flagrado e reconheceu o esquema.
 
Tensão interna e supostas ameaças

O relatório descreve episódios em que Armando Mendonça teria utilizado “expressões agressivas e alusões interpretadas como ameaças” ao diretor de Tecnologia, Marcelo Munhoes, responsável pela auditoria. O vice ainda teria interferido em reunião com representantes da Nike, constrangendo presentes.

Conclusões e encaminhamentos

A investigação indica:
  • Falhas processuais críticas;
  • Rastreabilidade insuficiente das retiradas;
  • Distribuição ineficiente dos materiais;
  • Suspeitas de comercialização indevida;
  • Recebimento de materiais muito acima da cota anual contratada.
O relatório foi enviado ao presidente Osmar Stabile, ao Conselho Deliberativo, e à Polícia Civil, que já possui inquérito próprio sobre o caso. Foram feitas 17 recomendações de melhorias.
 
O que diz Armando Mendonça

Em nota enviada ao ge, o vice-presidente:
  • Negou ser responsável pela distribuição dos materiais;
  • Disse que assumiu controles por encontrar “caos” da gestão anterior;
  • Alegou que o relatório é “tendencioso”;
  • Afirmou que as retiradas são para “ações de relacionamento”;
  • Rejeitou qualquer ato de ameaça ou interferência.
A diretoria do Corinthians não se manifestou até a publicação da reportagem.