Conferência em Belém marca início das negociações climáticas em meio a cobranças sobre emissões e desmatamento - Foto: Wagner Meier/Getty ImagesPorto Velho, RO – A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) começou oficialmente nesta segunda-feira (10), em Belém (PA), com fortes alertas da ONU sobre o aumento das emissões de carbono e a urgência de ações concretas para conter o aquecimento global. O evento segue até 21 de novembro.
Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), o planeta caminha para um aumento de temperatura entre 2,3°C e 2,5°C, acima da meta de 1,5°C introduzida no Acordo de Paris. O relatório divulgado na semana passada alerta que o ritmo atual das emissões torna cada vez mais difícil evitar um colapso climático.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, criticou duramente empresas que lucraram com a destruição ambiental. “Muitas empresas estão gastando bilhões em lobby e enganando o público, enquanto líderes seguem cativos a esses interesses”, afirmou.
Durante a Cúpula de Líderes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que não há solução para a cooperação global. Ele defendeu a criação de uma tributação mínima sobre grandes fortunas e multinacionais para financiar ações climáticas.
Apesar dos alertas, há sinais positivos. A Agência Internacional de Energia (AIE) informou que os investimentos em energia limpa superaram os combustíveis fósseis, alcançando US$ 2,2 trilhões em 2024. O avanço das fontes solares e eólicas e o aumento das vendas de veículos elétricos são visíveis como um passo importante, ainda que insuficiente.
O Brasil, que atualizou suas metas no Acordo de Paris, se compromete a reduzir entre 59% e 67% das emissões até 2035 e atingir a neutralidade de carbono até 2050. O plano inclui zerar o desmatamento ilegal até 2030 e o total até 2035.
Especialistas ouvidos pela CNN Brasil avaliam que as metas são realistas, mas poderiam ser mais ambiciosas diante do potencial brasileiro em energias renováveis e preservação ambiental.
A COP30 ocorre em um momento decisivo para o futuro climático do planeta, com líderes pressionados a transformar promessas em resultados concretos antes que as consequências se tornem irreversíveis.
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