Expansão de fábricas e arsenais preocupa EUA e reacende alerta global

Foto: Reprodução/CNN

Porto Velho, RO – Em plena escalada militar, a China está promovendo uma expansão sem precedentes em suas instalações de produção de mísseis, consolidando sua posição como potência bélica e reacendendo temores de uma nova corrida armamentista global.

Segundo uma análise exclusiva da CNN Internacional, mais de 60% das 136 bases e fábricas militares chinesas ligadas à produção de mísseis e ao arsenal nuclear se expandiram entre 2019 e 2025, somando 2 milhões de metros quadrados de novas estruturas.

As imagens de satélite mostram bunkers, torres e áreas de testes sendo erguidos em ritmo acelerado. Em alguns casos, é possível identificar componentes de mísseis em montagem.

“A China já está correndo a toda velocidade e se preparando para uma maratona militar”, afirmou William Alberque, ex-diretor de controle de armas da Otan.

Desde que chegou ao poder, Xi Jinping investiu bilhões na modernização do Exército de Libertação Popular (ELP), que hoje conta com mais de 2 milhões de soldados e um arsenal nuclear em rápida expansão. O presidente chinês classifica a Força de Foguetes do ELP como “o núcleo de dissuasão estratégica” do país.

Entre 2023 e 2025, a China aumentou em cerca de 100 ogivas por ano seu arsenal nuclear, segundo o Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (SIPRI).

Especialistas acreditam que a produção acelerada faz parte de um plano para reforçar a capacidade militar em caso de conflito com Taiwan, ilha considerada estratégica por Pequim.

“O objetivo é criar condições para uma possível invasão, atingindo bases e portos antes que os EUA possam reagir”, afirmou o analista Decker Eveleth, do CNA.

A expansão chinesa acontece enquanto os Estados Unidos enfrentam escassez de munições, devido ao envio de armamentos para Ucrânia e Israel, o que, segundo analistas, dá vantagem estratégica a Pequim.

A guerra da Ucrânia teria sido um divisor de águas: desde 2022, a China dobrou o ritmo de crescimento de suas bases de mísseis, aplicando lições aprendidas com o conflito russo.

“Eles estão observando atentamente o campo de batalha e tomando notas detalhadas”, explicou Alberque.

Apesar da expansão, o exército chinês enfrenta problemas internos de corrupção, que já derrubaram dois ex-ministros da Defesa ligados ao programa de foguetes.

O crescimento militar chinês acendeu o alerta de especialistas em segurança internacional, que veem o movimento como o início de uma nova Guerra Fria.

“O risco é que essa disputa se transforme em um confronto direto entre superpotências”, alertou David Santoro, presidente do Pacific Forum.

Fonte: CNN Internacional