Presidente do STF se reuniu com representante global de ONG que atuou com procuradores da força-tarefa

Às vésperas do julgamento no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que colocaria sob análise a Operação Lava-Jato, o presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, fez um discurso sobre os papéis de "cada um" no combate à corrupção.

Falando de improviso, e rapidamente, o presidente do STF conversou em inglês com convidados para uma recepção na embaixada da Alemanha, em Brasília, nesta segunda-feira. O coquetel na representação estrangeira tinha como motivo a visita ao Brasil do presidente da Transparência Internacional, François Valerian. A organização teve atuação próxima com procuradores da operação Lava-Jato.

Ao GLOBO, pessoas que estavam presentes no evento relataram que Barroso falou que "cada um tem um papel a cumprir no combate à corrupção e não adianta ficar tentando fazer o papel do outro". A plateia era composta por integrantes do Judiciário, como o ministro Herman Benjamin, próximo presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), embaixadores de países europeus, além de servidores públicos e integrantes da Transparência Internacional.

A presença do presidente do Supremo no evento gerou ruídos dentro da Corte. Alguns magistrados, sob reserva, disseram não ser desejável que o ministro estivesse em um evento "favorável" a uma instituição que está sob investigação do tribunal. Isto porque, em fevereiro, o ministro Dias Toffoli determinou uma apuração sobre a atuação da Transparência Internacional no Brasil.

A fala de Barroso ocorreu um dia antes de o CNJ julgar a decisão do ministro Luís Felipe Salomão, corregedor nacional de Justiça, de afastar quatro julgadores da Lava-Jato. Na segunda-feira, o corregedor afastou a juíza Gabriela Hardt de suas funções na magistratura federal, além dois desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região: Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz e Loraci Flores de Lima. O juiz federal, Danilo Pereira Junior, que atualmente chefiava a 13ª Vara Federal de Curitiba, também foi afastado de suas funções. O colegiado, no entanto, derrubou os afastamentos de Hardt e Pereira e manteve os afastamentos dos desembargadores.

Nos bastidores, o presidente do CNJ vinha se opondo ao julgamento dos casos envolvendo a Lava-Jato, e que acabaram tendo que ser julgados após as decisões liminares de Salomão. O voto do presidente do STF, contra os afastamentos de Hardt e Pereira Junior, acabou prevalecendo no caso dos dois juízes.


Fonte: O GLOBO