Presidente afirmou que é preciso "inverter a lógica" do pagamento de impostos no Brasil e que algumas pessoas vão "gritar e chiar".

O presidente Lula confirmou nesta terça-feira que sugeriu a criação do Ministério de Micro e Pequenas Empresas. O desenho da nova pasta era considerado pelo Palácio do Planalto para facilitar a a acomodação do PP e do Republicanos na reforma ministerial que está sendo desenhada por Lula para aumentar o apoio ao governo no Congresso Nacional. As tratativas para a criação do ministério foram antecipadas pelo GLOBO.

— Nós vamos criar, eu estou propondo a criação do ministério da pequena e média empresa, das cooperativas e dos empreendedores individuais. Para que tenha um ministério específico para cuidar dessa gente que precisa de crédito e de oportunidade — afirmou Lula durante sua live semanal.

Embora o Planalto já tenha confirmado que os deputados André Fufuca (PP-MA) e Silvio Costa Filho (Republicanos-PE) serão nomeados, não havia, até então, pistas do presidente sobre o novo desenho da Esplanada para abraçar os ministeriáveis.

A expectativa era que Lula resolvesse a reforma ministerial antes da viagem de sete dias para a África, o que acabou não acontecendo. Lula participou da reunião dos Brics na África do Sul e depois visitou Angola e São Tomé e Príncipe.

Nesta segunda-feira, o líder do governo no Senado, afrimou que as mudanças na Esplanada dos Ministérios devem sair até esta sexta-feira.

Taxação de super-ricos

O presidente Lula defendeu nesta terça-feira as propostas que mudam a tributação sobre fundos exclusivos e fundos offshore (no exterior), ambos voltados para altíssima renda. Lula afirmou que "o que não falta no Brasil são "pessoas espertas" que "encontram um jeito de burlar a lei para não pagar imposto de renda".

Lula enviou nesta segunda-feira para o Congresso Nacional propostas que mudam a tributação sobre fundos exclusivos e fundos offshore (no exterior), ambos voltados para altíssima renda. A arrecadação dessas medidas vai ajudar a fechar as contas em 2024 com um déficit zero, de acordo com o Ministério da Fazenda.

— O que não falta no Brasil não são pessoas espertas, que sempre estão encontrando um jeito de burlar a lei para não pagar imposto de renda. Na pior das hipóteses, consegue fazer com que passe um projeto no Congresso Nacional, que beneficie essa minoria.

Lula afirmou ainda que "na sua maioria", os deputados e senadores "não são representantes do novo trabalho".

— Vamos ser francos: os deputados e senadores eleitos, eles não são representantes, na sua maioria, do novo trabalho. São setores que vieram da classe média, de profissionais liberais, muitos são fazendeiros, mas não se declararam, se declara contador, advogado e médio. Então, a maioria dos deputados são pessoas pertencentes a uma classe média alta.

O presidente defendeu os textos do governo e afirmou que a proposta é uma coisa "justa e sensata" e que espera que o Congresso Nacional proteja os mais pobres ao invés dos mais ricos.

— O que nós fizemos é uma coisa justa e sensata. Eu espero que o Congresso Nacional, de forma madura, ao invés de proteger os mais riscos, proteja os mais pobres — defendeu o presidente.

Essa tributação será usada para compensar a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para R$ 2.640, aprovada na semana passada pelo Congresso Nacional e sancionada por Lula nesta segunda-feira, junto com a política nacional de valorização do salário mínimo.

Lula ainda afrimou que é preciso "inverter a lógica" do pagamento de impostos no Brasil e que algumas pessoas vão "gritar e chiar".

— Tem muita coisa para acontecer ainda em benefício do povo que ganha menos, do povo trabalhador para melhorar o padrão de vida dele. Tem muita gente que ganha muito e paga muito pouco, e tem muita gente que ganha pouco e paga muito — afirmou, completando:

— Temos que inverter essa lógica, é simples assim. Vai ter um outro que vai gritar, vai chiar, mas é assim que a gente vai consertar o Brasil.

Evento em São Pualo

Lula antecipou durante a live que vai tentar viajar na próxima semana para São Paulo e Minas Gerais, para "discutir investimentos". Os dois estados são governados por políticos da oposição ao governo Lula: Tarcísio de Freitas (republicanos-SP) e Romeu Zema (Novo-MG).

A viagem à São Paulo tratará de investimentos federais no estado. O presidente afirmou que fará uma cerimônia oficial e cobrou a presença do governador "porque se vamos esprestar dinheiro do governo federal, nós queremos que o governador esteja presente".

— Eu quero ver se na outra semana eu consigo ir a Minas Gerais e a São Paulo, para discutir os investimentos do estado de São Paulo. Vamos tentar fazer um ato, vamos tentar a participação do governo do estado. Se quiser participar, se não quiser participar, a gente fará o ato do mesmo jeito. 

Mas, como nós somos civilizados, nós vamos fazer e convocar o governador, porque é importante ele estar, porque os compromissos que vamos assumir é com ele também. Se vamos emprestar dinheiro do governo federal, do BNDES, para fazer a ferrovia Campinas-São Paulo, nós queremos que o governador esteja presente, afinal de contas é o estado de São Paulo que vai fazer.

Tarcísio enfrenta um período de desconfiança da sua base mais à direita na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). No primeiro semestre, o governador chegou a ser atacado após se encontrar com o presidente Lula, em Brasília.

Zema, por sua vez, concedeu ao ex-presidente Jair Bolsonaro o título de cidadão mineiro, em 2019. Nesta segunda-feira, em evento realizado na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Zema e Bolsonaro trocaram elogios e acenos, em mais uma sinalização de aproximação entre os políticos.

Brics

Lula voltou a falar da possibilidade de criação de uma moeda comum entre os países do Brics, formado por Brasil, China, Rússia, Índia e África do Sul. Mais recentemente mais seis países foram convidados: Argentina, Egito, Irã, Etiópia, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos

Ele diz que as “bases de negociação” estão sendo criadas para que esses países tenham uma “moeda de negócio” e, nesse ponto, em detrimento do dólar.

— Os Brics vão discutir durante esse ano inteiro para ver, quando chegar no próximo encontro, a gente conseguir fazer com que seja aprovado uma moeda de referência para exportação. Os europeus criaram o euro, precisamos criar alguma coisa. Não é contra o dólar, é a favor do Brasil, do comércio brasileiro.

Outras lives

Na semana passada, Lula defendeu a entrada da Argentina nos Brics, o que acabou acontecendo durante a última cúpula. Lula reiterou também a defesa pela entrada de novos países como membros permanentes no Conselho de Segurança da ONU.

Pensado para tentar engajar apoiadores do governo nas redes sociais, o programa tem sido transmitido todas as terças-feiras, pela manhã, geralmente do Palácio da Alvorada. Além das suas próprias páginas na rede social, Lula tem usado também a página nas redes sociais da TV Brasil e no canal da TV, empresa pública de televisão, que é destinada a divulgar ações do governo.


Fonte: O GLOBO